Archive for the ‘Dinheiro / Economia / Negócios’ Category

impostos.jpgImpostos

Quase metade das empresas portuguesas não pagou imposto sobre os rendimentos (IRC) em 2005, segundo os dados hoje divulgados pela Direcção-geral dos Impostos (DGI).

Os dados disponibilizados dizem respeito aos anos de 2003, 2004 e 2005 e mostram que 51 por cento das empresas portuguesas declarou uma matéria colectável positiva em 2005, para efeitos de IRC.

A matéria colectável é o valor dos rendimentos sujeitos a IRC sobre o qual irá ser aplicada a taxa de imposto de cada contribuinte com vista ao apuramento da colecta (obtém-se pela subtracção do valor dos abatimentos à soma dos rendimentos líquidos das várias categorias).

No entanto, 63 por cento das empresas apresentaram lucros tributáveis em 2005, que ascenderam a 22 mil milhões de euros nesse ano, mais 7,7 por cento do que em 2003.

A diferença entre o universo dos que têm lucro e o conjunto dos que pagam IRC é explicada, por exemplo, pela existência de créditos fiscais.

Se olharmos para os impostos, globalmente, regista-se que 81 por cento do total de empresas são pagadoras, seja em resultado da existência de matéria colectável, seja por via das tributações autónomas, IRC de exercícios anteriores, derramas ou pagamentos especiais por conta.

Segundo a DGI, entre 2003 e 2005 verificou-se uma redução de 9,2 por cento no número de empresas que reportaram prejuízos fiscais às finanças, mas o valor dos prejuízos declarados aumentou 9 por cento no triénio, devido a um pequeno número de empresas que apresentaram elevados prejuízos fiscais em 2005.

O Ministério indica que, apesar de o número de entidades com resultados positivos ter aumentado 5,3 por cento entre 2003 e 2005, o IRC liquidado no triénio baixou 8 por cento, o que se justifica fundamentalmente pela alteração da taxa nominal entretanto ocorrida (de 30 para 25 por cento).

Em relação às empresas não abrangidas pelo regime simplificado, as Finanças indicam que os resultados líquidos totais declarados aumentaram 28 por cento no triénio, para 29 mil milhões de euros em 2005, enquanto os prejuízos globais diminuíram 2,5 por cento desde 2003, situando-se em 9,2 mil milhões de euros em 2005.

O Ministério indica que a receita de IRC em 2006 cresceu 16,1 por cento face ao ano precedente, sem adiantar o valor cobrado.

[(c)Sol – 03-05-2007]

logo_novas_oportunidades.gifBalanço de ano e meio do Programa Novas Oportunidades

Mais de 250 mil adultos aderiram ao Programa Novas Oportunidades, o equivalente a cerca de 7,5 por cento da população activa sem o ensino secundário completo, a maioria para conclusão do ensino básico.

O Programa Novas Oportunidades, apresentado a 21 de Setembro de 2005, tem como objectivo mobilizar os jovens e os adultos para a possibilidade de aumentarem as suas qualificações para um nível correspondente ao 12º ano de escolaridade, que representa a conclusão do ensino secundário.
De acordo com os dados apresentados hoje, em Lisboa, pelos ministros do Trabalho e Segurança Social e da Educação, 250.774 adultos aderiram ao Novas Oportunidades, 176.176 para concluírem a sua formação ao nível do ensino básico e 74.598 para terminarem a sua formação ao nível do ensino secundário.
Dos participantes no programa, 91.840 fizeram a sua inscrição durante o primeiro trimestre de 2007, o que corresponde ao cerca de 40 por cento do total.
A maioria dos que se inscreveram de Janeiro a Março visavam concluir a sua formação ao nível básico (50.651).
O programa é procurado maioritariamente por mulheres (57 por cento para a conclusão do ensino básico e 55 por cento para conclusão do ensino secundário) e por empregados (62 por cento para conclusão do básico e 75 por cento para conclusão do secundário).
Entre os objectivos do Nova Oportunidades estão fazer do ensino secundário o nível mínimo de instrução de jovens e adultos, para o que pretende qualificar um milhão de pessoas activas até 2010.
Este ano estão a funcionar 268 centros novas oportunidades, mais 170 do que em 2006.

[(c)Público – 02.05.2007]

cortica.jpgDeputados vão apresentar propostas ao Governo

Criar um pólo de competitividade na área da transformação da cortiça, criar um observatório nacional para o montado e para a cortiça e introduzir a marca “cork” nos rótulos das garrafas são algumas das propostas que o grupo de trabalho “Defender o montado, valorizar a fileira da cortiça” — criado na Assembleia da República há cerca de um ano — vai formalizar ao Governo.

As ideias surgem depois de os deputados terem feito um estudo exaustivo do sector e de terem recolhido opiniões e sugestões de empresários. O projecto de resolução já deu entrada no Parlamento, mas ainda não há data para a discussão.

O conjunto de medidas avançadas pelos parlamentares tem como objectivo consolidar a posição dos produtos à base de cortiça, nomeadamente das rolhas para vinho, que tem estado sob a pressão concorrencial dos vedantes artificiais. Entre as muitas acções que os deputados propõem contam-se a realização de esforços para que sejam introduzidas disciplinas e cursos relacionados com a cortiça; adopção de medidas para que o símbolo cork — marca registada internacionalmente — seja colocado nos rótulos das garrafas de vinho vedadas com rolhas de cortiça; levantamento de todos os projectos de investigação que estão a ser feitos na área; atribuição de prémios anuais a quem contribua para a salvaguarda e defesa do montado e dos produtos de cortiça; e, ainda, a análise das possibilidades de cooperação com estruturas internacionais interessadas em defender a cortiça como um produto de um ecossistema único.

No texto, a que o PÚBLICO teve acesso, que antecede as propostas, salienta-se que “a posição cimeira que a nível mundial o país detém actualmente nesta área não é o resquício final de uma situação herdada, mas antes o resultado de uma resposta do sector empresarial, sobretudo nas últimas quatro décadas”. Uma importância atribuída à inovação tecnológica ao nível da produção, à capacidade de responder às exigências do mercado e à modernização da gestão que tem vindo a abrir horizontes na utilização da cortiça — que não se centra exclusivamente na rolha como vedante do vinho, mas em sectores como a indústria automóvel, aeronáutica e aeroespacial e a construção civil.

Dignidade e reconhecimento

O deputado socialist, Costa Amorim ressalva que a valorização e o reforço da posição do país no sector corticeiro deve “ser uma causa nacional que deve unir todos os deputados e portugueses”. “É preciso dar dignidade ao sector corticeiro, que não se resume ao factor económico, mas que tem três vertentes: económica, ambiental e social”. Por isso, a proposta de um pólo de competitividade e uma investigação concertada.

“O sector corticeiro nunca foi visto de uma forma integrada. É preciso que haja investigação e que os próprios estudos estejam centralizados”. Daí a defesa de cursos ligados ao tema. “Se somos líderes mundiais, normal seria que existisse acompanhamento em termos de estudos técnicos e académicos”, assinala o deputado, acrescentando que “não há um curso para quem se queira especializar na fileira da cortiça”. “Com este projecto de resolução, pretendemos que haja um olhar estratégico do sector, uma visão global para que Portugal possa ser ainda mais líder”, diz o deputado social-democrata Carloto Marques. Na sua opinião, há muito para fazer. “É tempo de a Assembleia da República dar dignidade a este sector. É um reconhecimento que se faz a todos os produtores, transformadores e aos que souberam, ao longo dos anos, preservar o montado”, remata.

O grupo de trabalho visitou várias empresas do sector e o que salta à vista é um sentimento generalizado de que o Estado não tem agido conforme exige o estatuto de líder mundial na produção e transformação da cortiça. Das opiniões recolhidas, ressalta a defesa de um organismo público que assuma uma atitude estratégica na área económica. Os deputados não esquecem a ameaça constante dos vedantes alternativos que fazem sombra à rolha de cortiça, o que, segundo o projecto, “representa um sério risco para a sustentabilidade económica e social de um sector que tem a sua viabilidade assente justamente na produção de rolhas”.

Sector já beneficiou do efeito José Mourinho

O documento produzido no Parlamento surge depois de uma iniciativa dirigida ao mercado britânico — A Campanha Internacional da Cortiça (CIC) II, promovida pela Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor).

Nesta campanha, e perante a amea-ça da substituição das rolhas de cortiça por vedantes de alumínio ou plástico, José Mourinho, actual treinador do Chelsea, deu a cara pela cortiça. Tal como o PÚBLICO noticiou na edição de 22 de Abril, os resultados foram imediatos. A recomendação feita pelos supermercados para a utilização de cápsulas de plástico e de alumínio diminuiu; a notoriedade da rolha de cortiça aumentou; os pedidos de informação sobre o sector cresceram; começaram a aparecer na imprensa inglesa artigos de opinião a sublinharem as vantagens da cortiça como vedante; e quase 40 por cento dos consumidores de terras de Sua Majestade inquiridos recordam uma frase que marcou a campanha centrada no “The Special One: If”s not a real cork, take a walk”. “Conseguimos atingir uma notoriedade diferente”, reconheceu o presidente da Apcor, António Amorim, perante os resultados alcançados.

O sector da cortiça é a única área económica em que Portugal é líder a nível mundial, concentrando 54 por cento da produção e 70 por cento da transformação. Uma fatia de actividade que representa cerca de 2,7 por cento das exportações totais nacionais. Noventa por cento da cortiça transformada em território português é exportada, em receitas anuais que rondam os 850 milhões de euros. Neste momento, há cerca de 900 empresas ligadas à transformação, empregando perto de 14 mil pessoas e criando perto de 6500 postos de trabalho sazonais.

[(c)Público – 02.05.2007]

presidente_bp.jpgJohn Browne

O presidente da petrolífera britânica BP, John Browne, demitiu-se hoje depois da Justiça do Reino Unido ter autorizado a publicação de dados sobre uma relação homossexual que manteve, que considera uma violação à sua vida privada.

O Alto Tribunal de Londres anulou hoje uma providência cautelar que interditava a Association Newspapers – que representa os tablóides “Daily Mail”, “Mail on Sunday” e “Evening Standard” – de publicar dados sobre a vida privada do gestor britânico, segundo relatam as agências internacionais.

Browne, presidente da BP há 12 anos, reagiu demitindo-se e negando os “comportamentos incorrectos” denunciados pelo ex-companheiro Jeff Chevalier aos referidos jornais, nomeadamente uso de bens da empresa para benefício pessoal e divulgação de informação confidencial sobre a BP.

O gestor de 59 anos considera, em comunicado hoje divulgado, “enganadoras e erróneas” as acusações de Chevalier.

“Ao longo dos 41 anos que passei na BP, mantive a minha vida privada à margem da minha vida profissional. Sempre considerei a minha sexualidade como um assunto pessoal. É muito decepcionante que um grupo de jornais tenha decidido agora divulgar alegados dados sobre a minha vida privada”, afirma.

Os últimos anos da presidência de Browne na BP ficam marcados pela perda do segundo lugar entre as maiores petrolíferas mundiais para a rival Royal Dutch Shell.

A reputação da empresa foi ainda prejudicada pela explosão, causada por negligência, de uma refinaria da multinacional no Texas, que causou 15 mortos, e por um caso de poluição no Estado norte-americano do Alasca.

John Browne será agora substituído no cargo por Tony Hayward, quadro da empresa.

[(c)Público – 01.05.2007]

cgtp1.jpgEntre 40 a 70 mil pessoas nas comemorações do 1º de Maio

O secretário-geral da CGTP elegeu 2007 como o “ano de combate à precariedade laboral” e apelou à participação de todos os trabalhadores nesta luta. Entre 40 a 70 mil pessoas participaram nas comemorações do 1º de Maio organizadas pela central sindical em Lisboa, um primeiro teste à greve geral do próximo dia 30.

“Vamos todos fazer uma grande greve geral, pois existem muitas e fortes razões para isso”, desafiou Carvalho da Silva, no final do desfile que ligou o estádio universitário à alameda da Universidade, sublinhando que a elevada participação nas comemorações de hoje indicia que a paralisação no final deste mês será um êxito.
Dados avançados pela PSP indicam que cerca de 40 mil pessoas acorreram ao desfile de hoje, enquanto os dirigentes sindicais calculam em mais de 70 mil o número de participantes.
Num discurso muito crítico do Governo, Carvalho da Silva lembrou a promessa feita por José Sócrates na última campanha eleitoral, quando anunciava a criação de 150 mil postos de trabalho até ao final da actual legislatura. “Pela primeira vez, temos uma taxa de desemprego superior à média europeia”, acusou, lembrando que mais de 50 por cento são desempregados de longa duração e a maioria dos empregos criados são precários”.
Num discurso que não esqueceu a reforma da Administração Pública e os funcionários sob ameaça de passarem ao quadro de excedentários, o dirigente sindical foi particularmente crítico com o Presidente da República, acusando-o de “hipocrisia”, por ignorar os problemas do trabalho. “Como é possível fazer um roteiro da inclusão sabendo que um terço da pobreza em Portugal é oriundo de pessoas que têm trabalho e não discutir isso”, questionou.
Carvalho da Silva explicou que a greve geral foi marcada para dar voz aos protestos, exigências e aspirações dos trabalhadores e responder às políticas do Governo e à postura de “um patronato que persiste em resolver os problemas da competitividade das empresas à custa da maior exploração dos trabalhadores”.
“Ou os trabalhadores e os portugueses se mobilizam ou as políticas de agressão aos seus direitos e interesses se aprofundarão”, disse Carvalho da Silva aos manifestantes, quando a chuva teimava já em cair.
A “luta contra a precariedade laboral é uma luta de todos trabalhadores”, com ou sem vínculo definitivo, que deverão estar unidos no combate “por um modelo diferente de desenvolvimento económico para o país”.

[(c)Público – 01.05.2007]

ugt.jpgLoures – Proença saudou o acordo de concertação social para a subida do salário mínimo.

O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), João Proença, responsabilizou hoje o Governo pelo “caos” na administração pública e por seguir atitudes numa lógica do “quero, posso e mando”, num discurso do 1º de Maio perante cerca de mil pessoas, em Loures.

João Proença manifestou-se preocupado com a existência de “um desempregado em cada nove trabalhadores”.
O combate ao défice “tem sido feito à custa dos salários, das pensões e do investimento público, o que faz com que Portugal esteja cada vez mais longe da média europeia”.
Além da estratégia financeira do executivo socialista, o líder da UGT criticou a atitude do poder socialista em relação aos sindicatos na definição das suas políticas.
“Não são aceitáveis políticas do quero, posso e mando. É inaceitável que se confundam direitos dos trabalhadores com privilégios”, apontou, antes de advertir o executivo para o carácter essencial da existência de serviços públicos com qualidade e de criticar a actual reforma da administração pública.
“O que temos hoje na administração pública é o caos generalizado na organização de cada serviço. Assiste-se também a uma ameaça generalizada aos trabalhadores de passarem para o quadro de mobilidade. Basta que não agradem ao seu chefe”, denunciou.
Ainda ao nível do Plano de Reestruturação da Administração Central (PRACE), o secretário-geral da UGT atacou o Governo pela “ausência de critérios objectivos” em relação aos trabalhadores que vão passar para o quadro da mobilidade.
Na sua intervenção, Proença saudou o acordo de concertação social para a subida do salário mínimo, assim como os resultados do combate à fraude fiscal e na Segurança Social.
“Mas não aceitamos que a única inspecção que não é reforçada seja a do trabalho. Até parece que os trabalhadores são a última prioridade deste Governo”, apontou o secretário-geral da UGT.
Na sua intervenção, João Proença queixou-se ainda que os resultados da produtividade não sejam repartidos com equidade, prejudicando os trabalhadores, e garantiu que a sua central sindical se baterá “contra todas as formas de discriminação”.
“Perante as campanhas da extrema-direita, a UGT é solidária com a população imigrante. Dizemos aos imigrantes obrigado pelo que contribuem para a riqueza do país e condenamos os empresários desonestos que os exploram”, declarou João Proença.
No que respeita à legislação laboral, Proença referiu que a UGT é a favor de uma “adaptabilidade negociada por via da contratação colectiva.
“Mas a UGT não aceita vazios na negociação colectiva – este é um aviso aos empregadores. E dizemos ao Governo que não aceitamos uma lei dos despedimentos individuais contra a Constituição da República” sublinhou o secretário-geral da UGT.

[(c)Público – 01.05.2007]

prisa1.jpg O grupo espanhol de media Prisa garantiu hoje à «Lusa» que, até ao final do dia de hoje, irá apresentar à CMVM o pedido de registo de oferta sobre a Media Capital ao preço de 8,29 euros por acção.

»O grupo Prisa, através da sociedade Vertix, cumprirá os prazos estabelecidos pela CMVM e apresentará hoje o prospecto da OPA obrigatória sobre a Media Capital ao preço de 8,29 euros por acção», afirmou fonte oficial do grupo.

O prazo para entrega do pedido de registo termina hoje à meia- noite, depois de a Prisa ter perdido a acção judicial para congelar a imposição nesse sentido do regulador do mercado de capitais.

portugal_telecom.jpg O presidente executivo da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, diz que «quer uma boa solução» para a Vivo e não rápida.

Em causa estão os rumores de que a Telefónica estaria em conversações com a PT para adquirir a fatia que esta detém na operadora brasileira Vivo.

«Estou mais preocupado em ter uma boa solução do que uma solução rápida», afirmou o responsável máximo da PT, à saída da assembleia-geral para a aprovação do «spin-off» da PTM.

No entanto, Granadeiro diz que não falou com o representante da Telefónica, António Viana Baptista, que esteve presente nesta assembleia, sobre a questão da Vivo.

pt_henrique.jpg A Portugal Telecom defende que seja feito um novo quadro regulatório para a PT Multimédia (PTM), quando esta estiver efectivamente separada da Portugal Telecom (PT).

O presidente da PT, Henrique Granadeiro, referindo-se ao papel da Anacom nesta operação, afirmou: «O regulador terá a palavra que entender que deve dizer. A palavra mais importante que esperamos do regulador é que se pronuncie sobre o novo quadro recreatório que deve corresponder a nova situação de concorrência que irá abrir em Portugal».

Ainda à saída da assembleia-geral para aprovação do spin-off da empresa dona da TV Cabo, o responsável admitiu ainda que a regulação da PT também deve ser alterada.

«Somos partidários de que a PTM não deve ter entraves regula, mas que a PT não pode ficar em igualdade de armas nesse novo quadro de concorrência que naturalmente será estabelecido com um concorrente de peso que será a PTM», terminou.

logo_pt.jpgA separação entre a Portugal Telecom e a PT Multimédia (PTM), aprovado esta sexta-feira, coloca um problema para cerca de 500 trabalhadores que são comuns a ambas as empresas. O presidente da PT, Henrique Granadeiro, admitiu que as «solução não serão uniformes».

À saída da assembleia-geral para aprovação do «spin-off» da PTM, o responsável afirmou que quanto a estes trabalhadores «cada caso é um caso. Não vai haver soluções uniformes para todos».No entanto, especificamente quanto aos trabalhadores da PTM, Granadeiro diz que «o spin-off não tem qualquer efeito no conjunto dos seus trabalhadores e que a PTM até pode vir a aumentar o seu quadro pessoal».

«Não vejo que possa haver esse efeito de redução de efectivos, mas isso será uma questão de abertura da administração», acrescentou.

cisao_pt.jpgAssembleia-geral de accionistas
A assembleia-geral de accionistas da Portugal Telecom aprovou hoje, com 99 por cento dos votos, a cisão (“spin-off”) da PT Multimédia do grupo de telecomunicações.O “spin-off” da PT Multimédia (PTM) era o quinto ponto da ordem de trabalhos da assembleia-geral de hoje da Portugal Telecom (PT).

A PT é, actualmente, a maior accionista da PT Multimédia, com 58,4 por cento do capital, seguida do Barclays, com 10,6 por cento, e do Banco Espírito Santo (BES), com 8,5 por cento.

O Banco BPI detém 5,2 por cento da PTM; Joe Berardo e a Colanei têm 2,2 por cento cada; e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) controla 1,6 por cento.

Se a distribuição da participação da PT na PTM pelos seus accionistas fosse feita com a actual estrutura da operadora de telecomunicações, o BES passaria a ser o maior accionista da dona da TV Cabo, com 13 por cento do capital.

O segundo accionista continuaria a ser o Barclays, seguido do BPI, com as mesmas participações que agora detêm.

A partir daí, tudo mudaria, aparecendo a espanhola Telefónica, com 4,9 por cento; seguida da CGD, com 4,6 por cento; depois Berardo, com 4,4 por cento; a Brandes Investments, com 3,7 por cento; e a Ongoing, com 3,1 por cento.

cisao_pt1.jpgAccionistas da PTM votam hoje cisão da empresa

Na véspera da assembleia geral (AG) onde será votada a cisão da PT Multimédia (PTM), a Portugal Telecom tocou, pela primeira vez desde o fim da OPA da Sonaecom, os 10,5 euros por acção, uma valorização atribuída a um interesse especial e especulativo dos investidores na proprietária da rede de cabo.

As acções da PT acabaram por fechar a 10,48 euros, em alta de 0,29 por cento. Os analistas acreditam que há investidores a entrar na PT para ter acesso à PTM, dado que se a cisão for aprovada serão atribuídas quatro acções da Multimédia por cada 25 detidas na casa-mãe.

Vive-se hoje um dos momentos mais aguardados do pós-OPA: a cisão (spin off) da PTM, uma operação que se vier a ser aprovada poderá abrir espaço para criar uma infraestrutura alternativa, com capacidade para concorrer com a PT, que passará a controlar apenas a rede de cobre. Se o spin off da PTM avançar, e os actuais accionistas de referência da PT se mantiveram na empresa com o mesmo capital que têm hoje, as duas empresas ficarão com 13 accionistas em comum (ver suplemento de economia), uma questão que promete levantar polémica. Belmiro de Azevedo, chairman da Sonae, já disse que o grupo da Maia vai estar atento ao cumprimento dos compromissos assumidos pela PT durante a OPA. O spin off da PTM faz parte da parte das medidas de defesa de OPA prometidas pela administração da PT.

A cisão deverá contar pelo menos com o voto contra da comissão de trabalhadores da PT, por receio de perda de empregos. Não foi possível esclarecer ontem de que forma irá a PT pagar os impostos devidos ao Estado no âmbito das mais-valias realizadas pelos accionistas da operadora, mas ao que tudo indica será em dinheiro.

ricardo_salgado_bes.jpgBanco já é accionista de referência da PT

O presidente do Banco Espírito Santos (BES), Ricardo Salgado, reafirmou hoje que a participação do banco na Portugal Telecom “é para manter” e adiantou que a presença na PT Multimédia terá sempre carácter de participação financeira, mas dentro daquilo “que os reguladores permitirem”.

O banqueiro reiterou a intenção de se manter no capital da empresa-mãe e sublinhou que o banco que dirige ainda não pode ter “uma posição clara” sobre o que irá acontecer no âmbito da cisão da PTM, “porque os reguladores [Anacom e Autoridade da Concorrência] já disseram que não querem os mesmos contornos accionistas nas duas empresas”.

A cisão (“spin-off”) da PT Multimédia, que será votada amanhã em assembleia-geral de accionistas, prevê a entrega de quatro acções da empresa por cada 25 detidas na PT.

Nesses termos, o BES tornar-se-ia o maior accionista da dona da TV Cabo, com uma participação aproximada de 12 por cento.

“Se guardarmos a nossa posição na PT, que é o que pretendemos, não poderemos ter posição semelhante na PTM”, disse Ricardo Salgado, que falava na conferência de apresentação dos resultados do primeiro trimestre do BES.

O banqueiro sublinhou que “o grupo não é gestor da PT”, participando no conselho de administração mas não na comissão executiva, e “não quer estar na gestão da PTM”.

bes.gifResultados líquidos somaram 139,8 milhões de euros

Os resultados líquidos do Banco Espírito Santos (BES) atingiram 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 33 por cento em relação ao período homólogo transacto, avançou hoje o banco, em comunicado.

A instituição bancária liderada por Ricardo Salgado justifica o desempenho do trimestre com o crescimento do crédito a clientes, que aumentou 15,9 por cento, e o incremento dos recursos totais de clientes, que sofreram também um acréscimo de 12,6 por cento. A actividade internacional contribuiu igualmente para o crescimento dos lucros do trimestre, aumentando 47 por cento no crédito e 20 por cento nos recursos de clientes.

O produto bancário avançou 15,1 por cento, somando 469,3 milhões de euros, tendo os custos operacionais progredido apenas 2,1 por cento.

alfeite.jpgManifestação em frente ao Ministério da Defesa

Mais de 400 trabalhadores do arsenal do Alfeite manifestaram-se hoje em frente ao Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa, para pedir que sejam incluídos na reestruturação em curso do estaleiro.

“A principal exigência é a participação dos trabalhadores no grupo de trabalho que está a fazer o projecto de reestruturação do Arsenal e no encontro das soluções que irão determinar o futuro do Estaleiro”, explicou

Carlos Godinho, da comissão de trabalhadores do Arsenal do Alfeite.

Os trabalhadores receiam que, com uma eventual privatização, o estaleiro fique “à mercê dos interesses privados”.

Arménio Carlos, coordenador dos sindicatos de Lisboa e membro da CGTP, disse ser necessário “mostrar que os trabalhadores têm propostas válidas para uma solução para a empresa”. Este responsável considerou “inadmissível que, ao longo de dois anos, o Governo se tenha recusado a receber os trabalhadores para lhes falar sobre o futuro do arsenal do Alfeite”.

Arménio Carlos defende que o arsenal “não deve ser privatizado, mas sim apoiado e financiado de maneira a poder desenvolver tanto os serviços de manutenção prestados à nossa Marinha como outros, de construção e reparação de navios”.

A resolução apresentada e votada por unanimidade pelos trabalhadores apela ao Governo para que este garanta estabilidade e futuro para o arsenal e adopte uma política de gestão de recursos humanos que torne o estaleiro mais produtivo.

ota1.jpg “É um projecto sustentável tecnicamente”

O ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou hoje que não lhe foi apresentado qualquer estudo que diga que a localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota não é uma opção viável ou que exista um sítio melhor.

Mário Lino, que falava perante a comissão parlamentar de Obras Públicas Transportes e Comunicações, considera que o estudo realizado pelo engenheiro José Manuel Viegas “é muito preliminar” e apenas apresenta “convicções”.

No programa da RTP “Prós e Contras” do dia 26 de Março, José Manuel Viegas, professor do Instituto Superior Técnico (IST), propôs a construção do novo aeroporto nas zonas do Poceirão ou de Faias (na margem sul do Tejo, perto de Rio Frio), defendendo que constituem melhores alternativas do que a localização escolhida pelo Governo, a Ota (a norte do Tejo).

José Manuel Viegas defendeu que a escolha do Poceirão ou de Faias tornaria a obra mais barata – porque o terreno é praticamente plano – e com maior capacidade. O engenheiro referiu que os estudos preliminares que fez, em 15 dias, mostram que as duas localizações que propõe estão “fora dos corredores ambientais”, minimizando o impacto ambiental da obra, e que têm espaço para que possa ser construída uma cidade aeroportuária. “Não se pode construir uma cidade aeroportuária na Ota”, contrapôs o especialista em transportes.

No mesmo programa, Fernando Nunes da Silva e Luís Leite Pinto, também do IST, concordaram com estas duas alternativas e sustentaram que a Ota não tem capacidade para albergar uma cidade aeroportuária.

Já o responsável pela coordenação dos estudos de impacto ambiental na Ota e em Rio Frio, Fernando Santana, contestou as localizações apontadas por Viegas, por se encontrarem “a três ou quatro quilómetros” da localização que já tinha sido rejeitada devido aos custos ambientais. “É a mesma coisa que Rio Frio”, afirmou Santana, acrescentando que se trata de “um contínuo ambiental”, com as mesmas questões relacionadas com “a existência de um aquífero, proximidade dos estuários do Tejo e do Sado e com as rotas das aves migratórias”.

Viegas alertou ainda para a inexistência de um estudo de impacte ambiental para a Ota, trabalho que levará ainda algum tempo a ser executado e que certamente – pelas indicações recolhidas em estudos já realizados – trará algumas condicionantes de carácter ambiental, eventualmente tão gravosas como em Rio Frio.

Ministro garante que “não há dificuldade com os terrenos”

Para o ministro Mário Lino, a construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota “é um projecto sustentável tecnicamente” e não durará apenas 13 anos. Numa intervenção feita no mês passado, Mário Lino afirmou que a Ota pode movimentar até 50 milhões de passageiros por ano.

Mário Lino garantiu também que “não há dificuldade com os terrenos”, até porque “qualquer projecto tem problemas de engenharia para resolver”.

Questionado pelo PCP sobre a privatização da ANA-Aeroportos de Portugal, SA, o ministro afirmou que a gestão dos aeroportos não deve ser vista como uma função do Estado.

[(c)Lusa/Público – 11.04.2007]

edp.jpgSonatrach pressiona para comprar abaixo do valor de mercado

As negociações entre a EDP e a Sonatrach, a maior produtora argelina de gás, estiveram por um fio, mas na EDP e no Governo ninguém quer dar o caso como encerrado e, na próxima semana, os esforços para se chegar a um acordo serão intensificados.

A entrada da Sonatrach no capital da EDP, com 5%, seria a jóia da coroa da deslocação do primeiro-ministro a Argel para a primeira cimeira luso-argelina, entre 21 e 22 de Janeiro. Mas, se tal não acontecer, constituirá um sério revés no aprofundamento das relações entre os dois países e, para a EDP, o prolongar da falta de um parceiro estratégico no gás.

Os representantes da Sonatrach deslocaram-se a Lisboa, na passada segunda e terça-feira, para tentar finalizar o acordo, mas o desejo de comprar as acções da EDP abaixo do actual valor de mercado inviabilizou a parceria. As negociações entre as duas empresas – patrocinadas pelo ministro da Economia – arrastam-se há meses e a Sonatrach não está satisfeita com a valorização das acções da EDP, que obrigará os argelinos a um maior esforço financeiro para adquirir os mesmos 5%.

Há, contudo, outras arestas a limar: a Sonatrach quer ter um representante na Comissão Executiva da EDP e não quer assumir nenhum vínculo de exclusividade no fornecimento de gás face à empresa portuguesa.

Há mais de dez anos que Portugal e Argélia tentam viabilizar a entrada da Sonatrach no capital de uma empresa nacional, primeiro da Galp e agora da EDP.

[(c)Expresso Ed. Impressa – Economia – 13.Maio.2007]

presidente_tap.jpgFernando Pinto, CEO e presidente-executivo
“O protesto dos pilotos apanhou a Tap de surpresa”

Visivelmente preocupado com os reflexos da acção de protesto dos pilotos na actividade da TAP, o presidente do conselho executivo, Fernando Pinto, admite que o resultado positivo previsto para 2006 está em risco.

P A TAP regressou aos lucros em 2006? R Até metade do ano, 2006 foi de grande preocupação. Mostrava perdas muito fortes, superiores às previstas no orçamento. Foi um ano muito difícil, não por dificuldades de tráfego, pelo contrário – conseguimos vendas superiores às do ano anterior – mas, principalmente, devido ao problema do preço do petróleo, que chegou a atingir a faixa dos 78 dólares por barril, elevando o preço do combustível para aviação a valores nunca antes imaginados.

P Que valor tinham orçamentado no início do ano?

R Na casa dos 62 dólares por barril e, mesmo assim, já ficava um orçamento apertado. O nosso contra-ataque foi através do crescimento. Fomos buscar aviões (três Airbus A330) e foi muito difícil consegui-los no mercado. Havia 25 empresas interessadas nestes três aparelhos, mas a TAP acabou por vencer. Introduzimos estes aviões em rotas de longo curso a partir do Porto. Essas rotas deram certo. Foi um dos pontos extremamente positivos. Por outro lado, fizemos uma reestruturação do nosso sistema de tarifas para poder competir no mercado de «low cost» e deu certo. Mantivemos um «load factor» (ocupação dos assentos) bastante elevado e, ao mesmo tempo, a média do preço não decresceu. Tivemos um crescimento importante da Star Alliance nos passageiros «business» de tarifas fortes, nomeadamente, dos EUA.

P Qual foi a percentagem de reencaminhamento da Star Alliance para TAP?

R Não tenho ainda esse número, mas imaginámos que a Star Alliance, no ano passado, viesse a contribuir com 30 milhões de euros de aumento de receita. Hoje, estimamos que ultrapassou esse valor. Acabámos por crescer em assentos oferecidos (14,9%), em tráfego de passageiros (8%) e em passageiros/quilómetro (15,7%). Um pouco superior à oferta. Mostra como estavam correctas as nossas estimativas e os mercados onde actuámos. As coisas melhoraram a partir de Junho. Tivemos crescimentos importantes. Os resultados saltaram rapidamente e eu direi que estava bastante optimista em Outubro, em relação aos resultados da empresa. Já Novembro não foi tão bom e Dezembro foi um pouco abaixo da nossa expectativa.

P Porquê? Costuma ser um mês forte?

R É forte a partir da segunda quinzena. Este ano, tivemos a influência desta movimentação dos pilotos, que trouxe prejuízos à operação: descontinuidade; passageiros que não marcaram voos connosco; a quebra de vários voos que tivemos de cancelar; tivemos de contratar empresas para os executar; e isso pode ter prejudicado a actividade da TAP. A que nível? Ainda não sabemos e até podemos chegar a um ponto de não atingir o resultado.

P Pode comprometer o resultado positivo de 4,1 milhões de euros previsto para 2006?

R Sim. Houve uma influência relativamente forte na operação.

P Mais do que a TAP esperava?

R A TAP não esperava nada, não imaginava qualquer tipo de movimento, uma vez que não era um problema com a TAP. Nós tínhamos a convicção de já ter ultrapassado essa era. A TAP não está preparada para isto. A TAP é uma empresa extremamente sensível, trabalha num mercado marginal mínimo. Consegue retirar lucratividade no limite e qualquer movimentação deste tipo prejudica-a largamente. Todo o trabalho de crescimento que temos feito nos últimos tempos assenta na estabilidade da empresa. E, principalmente, os nossos passageiros acreditam no produto que nós entregamos. Que não vamos deixá-los na mão, principalmente, num momento de férias, de festa…

P Houve um esforço da TAP para tentar resolver o problema?

R Com atrasos, sem dúvida nenhuma, alguns de várias horas. A TAP contratou aviões porque o objectivo era o passageiro não ser prejudicado. Este não é um diferendo com a TAP, nem com o passageiro.

P O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil anunciou que iria manter esta acção de protesto até ao dia 15 de Janeiro. Já tem uma noção do que acontecerá depois? Tem havido conversações?

R Essas conversações não são connosco. O protesto não é contra a TAP, mas contra uma acção do Governo. Mas, infelizmente, está a ser feita de uma forma que prejudica a TAP e isso é preocupante para nós. Confesso que, como gestor da empresa, me deixa muito preocupado e não muito seguro em termos de futuro, de investimento e de crescimento.

P Porque deixou de contar com a flexibilidade dos pilotos?

R Exactamente. Não podemos, de uma hora para a outra, ser apanhados de surpresa. Imagine ter mais três aviões A330 e este tipo de surpresa. A isso, a empresa não resiste!

P Especialmente nos próximos anos, tendo em conta o novo modelo de «governance» da TAP e de gestão por objectivos? São objectivos ambiciosos?

R São objectivos. Se são atingíveis ou não, não sabemos. Em geral, num plano destes, as metas são extremamente agressivas. É um desafio. Matematicamente, temos dificuldades em chegar lá e um dos caminhos é o crescimento da oferta, que pode ser muito benéfico, por um lado, mas prejudicial, por outro. Pode tirar-nos resultado.

P O ministro Mário Lino revelou que os objectivos foram previamente discutidos com o conselho de administração?

R As metas são estas, sem dúvida nenhuma. Depende das condições de mercado…

P Não é uma pressão excessiva?

R O máximo que acontece num casos desses, é não atingir a meta. Há metas anuais e trianuais.

P O Governo quer privatizar a TAP em 2007. Tendo em conta outros processos de privatização, parece-lhe realizável?

R O processo não é curto, leva tempo. Tem a ver com o trabalho do Governo, é uma decisão política e nós temos de trabalhar em conjunto para isso. Mas, como disse o nosso ministro, se não for em 2007 será em 2008.

P Tem ideia de qual vai ser o modelo de privatização? Vai ser parcial?

R Pelo menos, é o que ainda está no decreto.

P Está previsto, há longos anos, um acordo com os pilotos em que eles poderiam vir a ter entre 10 a 20% da empresa em caso de privatização. Este acordo ainda se mantém?

R Isso é da empresa de transporte aéreo. Em princípio, sim. Tem de ser analisado em termos de processo.

P Se os pilotos fossem já parte da estrutura accionista da empresa, isso poderia ajudar a solucionar este problema que prejudica a actividade da empresa?

R Não é preciso. Todos nós dependemos da TAP. Ninguém quer o mal desta empresa. O maior bem que, hoje, os nossos pilotos têm é serem respeitados, não só pela empresa como um todo, mas principalmente, pela opinião pública e pelo Governo. Eles não precisam deste tipo de movimento para serem ouvidos.

P Uma das condições para alcançar os objectivos é o negócio com a Portugália se concretizar?

R É muito importante, sem dúvida nenhuma. Dentro do planeamento estratégico, temos várias áreas de actuação. Uma delas é aquisição da Portugália.

P Qual vai ser a participação e o peso da PGA para esses objectivos?

R É responsável por uma parte importante, não sei dizer percentualmente quanto, mas uma parte importante desse crescimento da empresa, porque nos permite trazer passageiros de outras origens.

P A marca Portugália vai manter-se?

R Sem dúvida. Também estamos a comprar um mercado muito ligado à marca Portugália, que fez o seu nome – é um nome respeitado -, por cinco vezes recebeu o prémio de melhor empresa regional da Europa. Não faz nenhum sentido comprar a empresa e tirar-lhe o nome. É uma das coisas importantes que estamos a comprar.

RESULTADOS:

  • 14 milhões de euros, é o resultado líquido estimado para a TAP, em 2006, face ao prejuízo de 9,9 milhões de 2005
  • 47,9 milhões de euros, é a meta fixada para o resultado líquido da TAP, em 2007, pressupondo um aumento de 33,9 milhões, relativamente a 2006
  • 74,7 milhões de euros, é o valor inscrito nos objectivos globais anuais do Grupo TAP para 2008, com um aumento de 26,8 milhões de euros, face aos resultados líquidos de 2007
 [(c)Expresso Ed. Impressa – Economia – Edição 1785 de 13.01.2007]

golfe-mar.jpgO nosso petróleo verde

O Algarve vai acolher o European Masters durante os próximos três anos. A meta do Governo é tornar Portugal no melhor destino europeu de golfe até 2009

É um verdadeiro calendário de luxo de torneios de golfe que se vai disputar em Portugal em 2007, 2008 e 2009. Foi ontem anunciado em Vilamoura um pacote de eventos de golfe para os próximos três anos, negociados entre o Turismo de Portugal e o PGA European Tour.O destaque vai para o torneio internacional Portugal Masters, com um «prize money» mínimo de 3 milhões de euros e que deverá atrair grandes estrelas da modalidade. Na apresentação feita ontem esteve presente o jogador galês Brabley Dredge, um dos vencedores do campeonato mundial de golfe que decorreu em 2005 no Algarve.

Victoria investe 3 milhões de euros

O campo Victoria, a ‘jóia da coroa’ entre a colecção de campos de golfe de André Jordan, em Vilamoura, vai acolher o Portugal Masters, de 18 a 21 de Outubro de 2007 e também em 2008 e em 2009. A Lusotur Golfes prevê investir nas três edições anuais do Portugal Masters um montante global de 3 milhões de euros, sem contar com a quebra de receitas geradas pelo facto de o campo ter de fechar um mês antes do torneio, para estar nas melhores condições.

Ano de ouro na Lusotur

Os cinco campos de golfe da Lusotur em Vilamoura viveram um ano de ouro em 2006. “Tivemos o melhor ano de sempre”, salienta António Henriques da Silva, administrador executivo da Lusotur Golfes. Nos «greens» de André Jordan no Algarve, a ocupação cresceu 11,5%, com o total de voltas a subir de 192 mil em 2005 para cerca de 214 mil. A facturação também aumentou 17,5%, para 15 milhões de euros, ao mesmo tempo que o resultado operacional subiu 37,5%, atingindo 6 milhões e 250 mil euros.

António Henriques da Silva não tem dúvidas de que a Lusotur colheu em 2006 o doce fruto que resultou do facto de o Victoria ter sido palco do campeonato mundial de golfe no ano anterior. “Estes grandes eventos dão um retorno muito rápido em termos de visibilidade não só ao campo mas ao destino de golfe como um todo”, salienta o administrador da Lusotur, lembrando que o Algarve em 2006 beneficiou de um crescimento médio de 6,3% no golfe, “enquanto outros destinos internacionais bastante importantes desceram”. A eleição do Algarve como o melhor destino de golfe do mundo pela International Association of Golf Tour Operators também foi, segundo ele, uma ajuda preciosa para os resultados positivos obtidos na região em 2006.

Com o Portugal Masters, António Henriques da Silva acredita que o salto ainda será maior. Segundo as suas previsões, este evento deverá atrair ao Algarve cerca de 50 mil pessoas. A Lusotur espera em 2007 crescer 5%, “e de forma ainda mais significativa nos anos seguintes”.

Para a organização do Portugal Masters, a Lusotur vai providenciar 12 quilómetros de corda para delimitar o perímetro da competição, mais de 100 quilómetros de cabos de TV para cobertura do evento, 3 mil bananas para tonificar os jogadores e estruturas para acolher visitantes e 120 jornalistas de todo o mundo, com 1500 lugares sentados e 30 tendas em 3,2 mil metros quadrados.

Uma marca para o Algarve

Com “o clima e os bons campos que temos”, António Henriques da Silva defende que o Algarve deve criar uma marca em torno do golfe, “tal como Andorra se associa à neve, pois não basta promover o sol e a praia”. No Algarve, o golfe já é um «case study» de sucesso no combate à sazonalidade, trazendo hóspedes com elevado poder de compra aos hotéis na época baixa.

Para o administrador da Lusotur, “o golfe não deve ser visto como um desporto, mas como produto turístico”. E frisa que em Loulé existem 12 campos “de grande qualidade” num raio de poucos quilómetros. “É o concelho que concentra o maior número de campos de golfe na Europa”.

O GOLFE EM 2006

  •  O golfe gerou em Portugal receitas de 1,8 mil milhões de euros, o que inclui as actividades de imobiliário e de «resorts» associadas a esta modalidade;
  • 1,4 milhões de voltas realizadas;
  • 1,1 milhões de dormidas;
  • 300 mil jogadores estrangeiros:
  • Algarve, Lisboa, região Oeste, Madeira e Açores são os principais destinos de golfe
 [(c)Expresso Semanal]