Sócrates na Rússia para favorecer negócios

socrates_russia.jpgA visita será sobretudo económica, mas a dormida do PM no Kremlin não é alheia ao facto de estar prestes a presidir à UE

José Sócrates vai dormir no Kremlin, uma honra que só é dada aos chefes de Estado em visita oficial. Na estrita contabilidade russa – Moscovo recebe apenas em visita oficial quatro primeiros-ministros por ano – ele é um deles. E o próprio Presidente russo, Vladimir Putin, estará com Sócrates praticamente meio dia, do qual uma hora num encontro a sós. Se não fosse por mais nada, bastariam estes dados para perceber o relevo que os russos estão a dar à visita que o primeiro-ministro português iniciará amanhã a Moscovo. Uma deslocação na qual fonte oficial russa garantia ao Expresso pôr “muita esperança” e que considerava “muito importante sob todos os pontos de vista”. “E que só faz sentido no quadro da relação construída que já ganhou massa crítica”, como referia uma fonte portuguesa.A visita – a delegação é das maiores realizada à Rússia por um primeiro-ministro – é acentuadamente económica (39 empresários) e fecha o ‘ciclo dos BRIC’ (Brasil, Rússia, Índia e China), na lógica de Portugal estar presente em todas as economias emergentes. Cinco ministros (dos Negócios Estrangeiros, da Economia, das Finanças, da Cultura e da Administração Interna) e três secretários de Estado (Justiça, Comércio e o adjunto da Presidência do Conselho) acompanham também Sócrates nesta viagem.

Em curso, estão pela primeira vez alguns projectos de grande porte, nomeadamente a construção de uma ‘aldeia portuguesa’ na estância turística de Sotchi, candidata aos Jogos Olímpicos, e a construção em Sines de uma fábrica de etileno. Pela primeira vez em muitos anos, o comércio bilateral começa a crescer, tendo duplicado entre 2004 e 2006. Sinal de que Portugal e Rússia começam a aparecer nos respectivos mapas e com produtos que ultrapassam os tradicionais vestuário, calçado e móveis.

Não menos significativo é o projecto de estabelecer em Portugal uma sucursal permanente do museu Hermitage, à semelhança do que acontece em Londres e Haia. Para já, está a ser negociada uma grande exposição daquele museu para a altura da cimeira UE-Rússia, em Outubro.

Da importância atribuída pelos russos à visita de José Sócrates não se pode excluir o facto de, dentro de seis semanas, Portugal assumir a presidência da União Europeia, no âmbito da qual será levada a cabo uma cimeira com a Rússia. Mas as relações entre ambas atravessam uma fase complexa e é de crer que os russos estejam interessados em ouvir o que os portugueses têm a dizer sobre o assunto.

A cimeira de Samara entre a UE e a Rússia, na semana passada, foi um semifracassso. A solidariedade manifestada pelos representantes da UE face aos problemas bilaterais de alguns países da União com a Rússia desagradou a Putin. Mas não será Sócrates a quebrar essa solidariedade.

[(c)Expresso Ed. Impressa – 1º Caderno – 26.Maio.2007]

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