Carmona denuncia silêncios do PSD

carmona_rodrigues11.jpgO ex-presidente da Câmara e agora de novo candidato revela ao Expresso que o líder do PSD nunca lhe pediu que renunciasse

A ausência de apoio do PSD nos “momentos difíceis” e as “faltas de solidariedade” de Paula Teixeira da Cruz, presidente de Assembleia Municipal de Lisboa, foram, segundo Carmona Rodrigues, algumas das questões que mais contribuíram para fragilizar o Executivo camarário.

Numa longa conversa com o Expresso, em que detalhou o processo de queda da Câmara e da sua decisão de se recandidatar à presidência, Carmona Rodrigues afirma: “Nos momentos difíceis era de esperar que o PSD se mobilizasse para defender a Câmara, mas não foi o que fez, antes se remeteu ao silêncio. Apenas Pacheco Pereira e Vasco Graça Moura se manifestaram nas respectivas colunas de opinião dos jornais em que colaboram”.

O ex-presidente da CML aponta como exemplo os casos da EPUL, Infante Santo ou Vale de Santo António. “Estávamos completamente sozinhos. Até na Assembleia Municipal era notória a falta de apoio da presidente. Não agendava as propostas do Executivo e devolvia outras, como foi o caso de uma permuta de terrenos no Alto dos Moinhos ou a reestruturação da Ambelis (Agência para a Modernização Económica de Lisboa). Até parece que existia uma estratégia para me fragilizar e afastar da Câmara. Cheguei mesmo a questionar a falta de solidariedade da presidente da AML”.

A progressiva degradação política na CML teve o seu ponto alto quando os dois pilares do Executivo camarário foram constituídos arguidos: Fontão de Carvalho, no caso EPUL, e Grabriela Seara, no caso Bragaparques.

Sem ocultar a sua indignação pela suspeição que pende sobre estes dois autarcas, Carmona Rodrigues não se inibe de comentar: “No PSD parece existirem arguidos de primeira e de segunda”. Mas não dá exemplos.

A situação tornou-se particularmente delicada quando é quebrada a solidariedade em relação a Fontão de Carvalho (independente) e, posteriormente, Paula Teixeira da Cruz ameaça retirar a confiança política a Gabriela Seara (PSD) se esta não se demitir.

Relativamente ao facto de ter sido constituído arguido no processo Bragaparques, o candidato à presidência da CML afirma que o líder do PSD foi o primeiro a saber do assunto. “Sempre tive com Marques Mendes uma relação de lealdade. O assunto foi analisado por ambos e desde o princípio – não deixo de reconhecer o mérito – Marques Mendes defendeu eleições intercalares. Disse-lhe que poderia ser uma solução e que respeitava a decisão do PSD”.

Carmona era entretanto chamado ao DIAP para depor como arguido no caso Bragaparques. Apesar desta situação, o líder do PSD nunca pediu a Carmona Rodrigues que renunciasse: “Ficou claro o meu respeito pela decisão do PSD ao mesmo tempo que não seria o primeiro a abandonar o barco. Existiam outras saídas para provocar eleições intercalares”.

Contudo, o ex-presidente da Câmara não deixa de manifestar alguma mágoa pela forma como o sistema partidário em Portugal trata os independentes; “são tipo fraldas descartáveis. Usam-se e deitam-se fora”.

O candidato garante ainda que não fará campanha contra os partidos que “muito respeita”, mas pelos lisboetas e pela cidade.

[(c)Expresso Ed. Impressa – 1º Caderno – 26.Maio.2007]
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