Aviação – Avião do Congo aterra ilegal em Faro

boeing727x.jpgO Boeing 727 deixou os EUA rumo à Líbia. Parou no Algarve sem pedir e mudou a matrícula

Uma aeronave privada aterrou na segunda-feira ilegalmente em Faro e horas depois conseguiu descolar com matrícula ‘falsa’ e com o indicativo radiofónico do avião presidencial do Congo. A bordo seguia o maior opositor do chefe de Estado – Kabila – e dono de um Boeing 727, Jean-Pierre Bemba.

Ao Expresso, os responsáveis do sector garantiram que a única ilegalidade cometida foi na aterragem. O que aconteceu depois – a mudança de matrícula e o código de voo escolhido – é resumido a factos de “um episódio insólito”. Quem o diz é o próprio director do aeroporto de Faro, Correia Mendes.

Segundo os técnicos do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), os aviões privados não precisam pedir previamente autorização para sobrevoar ou aterrar excepto quando os documentos são provisórios. Era o caso: o Boeing tinha sido ‘comprado de fresco’ por Bemba. O negócio não foi comunicado atempadamente e as suspeitas também não surgiram porque o aparelho tinha uma escala anterior na Europa – em Shannon, a cidade irlandesa que tem sido associada aos voos suspeitos da CIA -, onde é obrigatório ser fiscalizado.

A situação só foi descoberta quando funcionários do terminal algarvio usaram a papelada para cobrarem as taxas aeroportuárias e Bemba pediu a alteração da matrícula. As cópias chegaram ao INAC e acabaram por revelar que o aparelho tinha, inclusive, saído ilegalmente dos EUA porque estava registado no Congo desde 5 de Janeiro. Mas “os documentos para alterar os registos estavam todos conformes”, confirma Correia Mendes, e a nova matrícula foi autorizada. No entanto, o número de identificação (9QC-MC) que a autoridade aeronáutica do Congo atribuiu ao Boeing pertence, afinal, a um avião de fabrico russo que se despenhou na capital do país, como está documentado na Internet.

Um elemento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Faro garantiu que Bemba, e a sua comitiva de 15 pessoas, foi controlado: “Um elemento deslocou-se à sala VIP para verificar os passaportes’’. E o político, que tem casa no Algarve, gosta de ser tratado como figura de Estado. A prova é o indicativo radiofónico ‘Congo 02’, que pertence ao avião do Presidente Kabila. Nos voos privados os códigos são livres e Bemba não perdeu a oportunidade de fazer-se passar por governante, pelo menos até entrar no espaço aéreo da Líbia.

[(c)Expresso Edição Impressa- 1º Caderno – Nº 1785, 13 de Janeiro de 2007]
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