O presidente da petrolífera britânica BP, John Browne, demitiu-se hoje depois da Justiça do Reino Unido ter autorizado a publicação de dados sobre uma relação homossexual que manteve, que considera uma violação à sua vida privada.
O Alto Tribunal de Londres anulou hoje uma providência cautelar que interditava a Association Newspapers – que representa os tablóides “Daily Mail”, “Mail on Sunday” e “Evening Standard” – de publicar dados sobre a vida privada do gestor britânico, segundo relatam as agências internacionais.
Browne, presidente da BP há 12 anos, reagiu demitindo-se e negando os “comportamentos incorrectos” denunciados pelo ex-companheiro Jeff Chevalier aos referidos jornais, nomeadamente uso de bens da empresa para benefício pessoal e divulgação de informação confidencial sobre a BP.
O gestor de 59 anos considera, em comunicado hoje divulgado, “enganadoras e erróneas” as acusações de Chevalier.
“Ao longo dos 41 anos que passei na BP, mantive a minha vida privada à margem da minha vida profissional. Sempre considerei a minha sexualidade como um assunto pessoal. É muito decepcionante que um grupo de jornais tenha decidido agora divulgar alegados dados sobre a minha vida privada”, afirma.
Os últimos anos da presidência de Browne na BP ficam marcados pela perda do segundo lugar entre as maiores petrolíferas mundiais para a rival Royal Dutch Shell.
A reputação da empresa foi ainda prejudicada pela explosão, causada por negligência, de uma refinaria da multinacional no Texas, que causou 15 mortos, e por um caso de poluição no Estado norte-americano do Alasca.
John Browne será agora substituído no cargo por Tony Hayward, quadro da empresa.
[(c)Público - 01.05.2007]

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